sábado, 31 de janeiro de 2009

AS PESSOAS DE MIRA-CELI


O avô tinha sido um ancião convencional,que se enterrou de sobrecasaca, e polainas;e a avó — uma menina pálida que morreu ao pari-la;o pai fez algumas baladas;contam que tinha uma luneta para olhar ao longe.Daí — a mão dobra a página do livro,e a história da tetraneta finda com uma estocada no [ ventre:há destinos travados, lenços quentes de lágrimas,algum incesto, uma violação sobre um sofá antigo.—Quando a mão dobra a página, há rastros de sangue [ no soalho.Esta é a mais nova das cinco.Veja que os seios são como neve que nós nunca [ vimose ninguém nunca viu o pai que lhe fez um filho;e o filho desta menina é este moço de luto. Agora vire a página e olhe o anjo que ele possuiu,veja esta mantilha sobre este ombro puro,e estes olhos que parecem contemplar as nuvensatravés da luneta avoenga. Veja que sem o fotógrafo [ quereras cortinas dão a impressão de caras [ impressionantespor detrás da gravura: um estudante de cavanhaque [ e outro de capa.Repare bem o braço que ninguém sabe de ondecircunda o busto da moça e a quer levar para um [ lugar esconso.Fixe bem o olhar com o ouvido à escuta para [ perceber a respiração grossa,os gritos, os juramentos... A saia negra parece [ um sino de luto,e o decote é a nau que a levou para sempre. E este [ fundo de águapode ser o mar muito bem; mas pode ser as [ lágrimas do fotógrafo

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